Tendência: vegetais integrados ao novo morar urbano

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A agricultura urbana vem se disseminando como tendência macro de ocupação de espaços subutilizados e áreas degradadas nas cidades. É uma forma de aproveitamento e reabilitação de espaços, incentivo de sistemas alternativos de economia, consumo e, acima de tudo, melhora na qualidade de vida geral nos centros urbanos.

O movimento do novo morar urbano traz o verde de volta à cartela de cores das metrópoles e também se mostra nas casas e apartamentos, onde acontece uma pequena revolução da jardinagem através de equipamentos de tecnologia avançada e design bem pensado para incorporar plantas comestíveis a peças de mobiliário, eletrodomésticos e instalações de cultivo que embelezam ambientes e trazem a natureza de volta aos locais com excesso de interferência humana.

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O primeiro exemplo que salta aos olhos é o sistema Plantui. Os chamados “jardins inteligentes” desenvolvidos pela empresa de mesmo nome na Finlândia são um misto de luminária com floreira hidropônica altamente computadorizada.

A ideia é tornar a jardinagem urbana o mais simples possível para o usuário, a quem falta tempo ou habilidade. É preciso apenas das cápsulas contendo as sementes das plantas que quer cultivar, e de água para o reservatório do sistema – não é necessário sequer mexer com terra, e os sistemas de climatização do Plantui garantem que as hortaliças, temperos e flores comestíveis terão a quantidade e tipo certo de luz, água e nutrientes para cada etapa do crescimento até a colheita de um produto totalmente orgânico após cerca de quatro a oito semanas. “O Plantui foi criado pela nossa rede de profissionais que inclui biólogos, especialistas em tecnologia para estufas e nutrição de plantas. Também tivemos especialistas que trabalharam na Nokia participando da criação do sistema de computador”, explica Johanna Siltala, representante de Marketing da empresa.

As peças impressionam pela aparência discreta, elegante e versátil concebida pelo designer e fundador da empresa, Janne Loiske – o modelo Plantui 6 ganhou o prêmio RedDot de design de 2015. A representante conta ainda que os usuários costumam acomodar a peças em vários locais da casa – sala de estar, quarto, corredores e cozinha, já que o aparelho emite luz e não faz barulho. “O Plantui é luz bela e viva”, conclui.  A premissa do produto é o título este texto – todos merecem um jardim.

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No Brasil também existem iniciativas igualmente criativas para trazer a natureza de volta às casas das populações urbanas. Três engenheiros de Porto Alegre (RS) desenvolveram o Plantário, uma espécie de estufa doméstica que só precisa de um ponto de eletricidade e outro de água para cultivar temperos e hortaliças pequenas dentro da cozinha, também com um sistema automatizado que monitora e garante as condições ideais de crescimento dos vegetais. “Vivemos cada vez mais em cidades, mais longe de onde os alimentos são produzidos, e nesse ciclo de produção e transporte se perde muita coisa. É algo que onera muito quem produz e quem consome. Então pensamos em como seria legal a possibilidade de cultivar uma horta orgânica em casa”, descreve Bernardo Mattioda, um dos engenheiros criadores, sobre como o conceito do Plantário surgiu. Assim como o Plantui finlandês, a estufa desenvolvida pelos gaúchos é auto regulada por sistemas que determinam quanto tempo as luzes de LED, que imitam o espectro do sol, ficarão acesas, além de controlar o suprimento de água para as plantas e a renovação constante do ar dentro do equipamento.

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Atualmente o eletrodoméstico tem como alvo o público gourmet, que integra o equipamento e os produtos frescos ao mobiliário da cozinha e à culinária como paixão. O produto é comercializado em toda a região Sul do Brasil e também em São Paulo através de parcerias com lojas especializadas em móveis planejados de alto padrão, que já apresentam o Plantário como eletrônico que pode ser integrado a um projeto de interior, assim como uma adega ou outra comodidade. “Desde o início nos preocupamos com a estética, já que o produto ficaria exposto e a cozinha é cada vez mais o coração da casa. Resolvemos isso projetando o produto da forma mais reta e minimalista possível, para que as estrelas sejam as próprias plantas. Traz toda essa questão do verde e da natureza para dentro da cozinha”, explica Mattioda.

A presença do verde em locais geralmente esquecidos ou utilizados de forma precária traz uma dimensão perdida de contato e convívio das pessoas em torno do cultivo e consumo das plantas. Essas peças de instalação simples e manutenção baixa permitem incorporar a jardinagem e a agricultura como hobbies e estilos de vida até então virtualmente impraticáveis na cidade. E essa tendência deve crescer no Brasil e em todo o globo como uma proposta mais amigável ao meio ambiente no que diz respeito à mobilidade, lazer, alimentação, e ao morar no espaço urbano.

 

Publicado originalmente em – www.mobile.com.br – 27 de novembro de 2015|10:50| Por: Nicholle Murmel.

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