Varandas, paredes e telhados verdes na mira de arquitetos e urbanistas.

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Pesquisa comprova que árvores podem ser cultivadas de forma extensiva mesmo sobre estruturas em grandes alturas: mas será que vale a pena?

Em busca de saídas criativas para trazer mais árvores e verde para centros urbanos cada vez mais densamente povoados, arquitetos e urbanistas de todo o mundo tem virado suas atenções para os (antes depreciados) telhados, paredes e varandas de prédios e grandes edificações.

O Council on Tall Buildings and Urban Habitat (Chicago) lançou recentemente os resultados da pesquisa que comprova, ao menos neste primeiro ano, que árvores de grande porte podem ser cultivadas naturalmente e mantidas saudáveis quando plantadas em estruturas de grande altitude.

O relatório “Vertical Greenery: Evaluating the High-Rise Vegetation of the Bosco Verticale, Milan“, realizado pela prof. Elena Giacomello (Università Iuav di Venezia) e Massimo Valagussa, diretor da Fundação Minoprio de Milan, ambos na Itália, reporta os resultados da pesquisa de 900 árvores que cobrem o arranha-céu  Bosco Verticale (literalmente Floresta Vertical) inaugurado recentemente em Milão, e revela que algumas espécies se adaptaram melhor que outras frente o desafio ambiental, especialmente nos andares mais altos, onde as árvores, mais estressadas, chegam a requerer 20% mais água.

A incorporação de vegetação cria uma nova linguagem estética para os nossos edifícios, relevante para os desafios do nosso tempo. Esta é uma língua que muda com as estações. Plantas são dinâmicas, orgânicas, podem florescer, crescer. Basta pensar no dinamismo que dá a fachada.

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Emblemático, o edifício é composto por duas torres que se destacam no skyline do distrito de Porta Nuova em Milão. As 900 árvores estão distribuídas ao longo de toda fachada dos prédios (76 e 110 metros de altura), literalmente ‘equilibradas’ em 10.142 metros quadrados de varandas projetadas para o exterior, cobrindo 40% de toda área construída.

‘A indústria da construção civil estava ansiosa para aprofundar a compreensão sobre os benefícios e desafios da incorporação significativa de vegetação em edifícios de grande porte’, diz Antony Wood, diretor-executivo do CTBUH.

Os benefícios já são bem compreendidas, e incluem sequestro de carbono, produção de oxigênio, redução do efeito de ilha de calor, amortecimento de sons, melhorando a eficiência energética do edifício, e adicionando proteção para o envelope. “A ciência é absolutamente comprovada”, diz Wood.

No entanto, o debate ainda está aberto sobre a forma como esses benefícios se equiparam aos desafios de colocar árvores em grandes alturas. Os autores fornecem maiores detalhes de como as torres foram projetadas e construídas para acomodar o uso extensivo de árvores, como as árvores estão situados ao longo da torre, e do sistema de segurança com tripla-redundância que os engenheiros desenvolveram para manter as árvores no lugar.

“Quando você olha para o edifício você apenas pensa, ‘Uau, é uma floresta vertical.’ É sem precedentes “, diz Wood. “Mas quando você vê o que tiveram que fazer, por exemplo, para evitar absolutamente a chance de uma dessas árvores ser arrancada durante uma tempestade, danificando o edifício ou caindo abaixo e matando alguém, é notável.”

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Se fôssemos ampliar a escala – se cada edifício tivesse vegetação – o impacto da redução do efeito de ilha de calor urbano em 15 ° ou 16 °C é absolutamente enorme, não apenas sobre o edifício, mas sobre as pessoas e outros edifícios em todo a cidade.

Os pesquisadores mediram o teor de clorofila e nutrientes nas folhas para avaliar a saúde das árvores, representadas por 23 espécies diferentes, e o nível de metais pesados foi utilizado para  medir o nível de estresse – há uma tendência de que as árvores nos andares mais altos fiquem mais estressadas, chegando a requerer 20% mais água “Essas árvores foram tiradas de seu habitat natural”, explica, “Aquelas mais no alto, sujeitas a altas velocidades de vento e diferentes pressões ambientais, estão sob maior estresse do que aquelas nos andares mais baixos”.

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Como o edifício ainda não estava totalmente ocupado, os pesquisadores puderam avaliar o uso de energia com base em modelos matemáticos, indicando uma redução de 7,5% na demanda por energia.

Wood, que é professor associado na Faculdade de Arquitectura do Instituto de Tecnologia de Illinois, diz que em última análise, “a questão de incluir ou não o uso extensivo de vegetação em edifícios altos tem maiores implicações do que simplesmente se cabem ou não nos custos da obra. Ela cria uma nova linguagem estética para os nossos edifícios, relevante para os desafios do nosso tempo”.

Publicado originalmente em: http://www.asce.org/

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