Estrelas ou Jardins?

O ano de 2012 começou e a sustentabilidade nunca esteve tão em moda. A grande maioria dos habitantes do planeta deseja tornar a existência humana mais digna, e obviamente, a sustentar e expandir nosso padrão de vida, seja lá qual ele for, onde ele for – entretanto, vivemos em uma grande redoma onde todos os recursos são finitos – do oxigênio às sementes, é isso que está em jogo. E esse jogo se ganha ou perde nas decisões do dia-a-dia, nos planos que fazemos, nas ações que executamos – e isso envolve ética.

Para ilustrar a ética que desejamos para o mundo neste ano, selecionamos um texto do poeta Rubem Alves, “Estrelas ou jardins”:

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Ética são os pensamentos que pensamos quando nos encontramos diante de uma situação problemática que nos pergunta: “Que devo fazer para que a minha ação produza o maior bem possível – ou o menor mal possível?”. Essa pergunta pode ser respondida de duas formas diferentes, dependendo da direção do nosso olhar.

Há um olhar que contempla as estrelas e descansa na sua eternidade, perfeição e imutabilidade. Moram nas estrelas os valores éticos que foram criados antes mesmo delas e gozam de sua imutabilidade. (…) Quando surge um problema na terra, os olhos procuram a resposta nos céus, morada da verdade eterna de Deus.

Há, entretanto, um outro olhar, que não olha para as estrelas por preferir os jardins. Deus começou sua obra criando as estrelas, mas terminou-a plantando um jardim… A se acreditar nos poemas sagrados, Deus ama acima de tudo, mais que as estrelas, o jardim. Deus ama mais os jardins, porque ama mais a vida que as pedras.

Árvores, arbustos, flores são seres vivos. Neles não há nada que seja permanente. Tudo muda sem parar. Uma folha, que estava verde seca e cai. Uma planta que se planta hoje será arrancada amanhã. Um galho onde um pássaro fez um ninho, apodrece e tem que ser cortado. O jardim, como a música, tem sua beleza nas constantes e imprevisíveis transformações.

Os astrônomos olham para os céus e podem determinar com precisão a verdade do astro que estão examinando. Os jardineiros olham para o jardim e não podem determinar nada com precisão. Porque a vida não é uma estrela. O jardineiro não olha para as estrelas para decidir o que fazer com seu jardim. Ele observa a paisagem, examina cada uma das plantas – o que foi verdade ontem pode não ser verdade hoje -, vê as transformações, imagina possibilidades não pensadas, cria novos cenários… (…) Os jardins são seres do tempo. Mudam sem cessar. Nada permanece.

***

É com esse olhar, de jardineiro, que olhamos para 2012. Que sejamos conscientes da fragilidade da vida, da responsabilidade que temos hoje em cultivá-la.

Desejamos à todos que a ética da vida esteja presente em nossas decisões. Feliz 2012.

2 Comments Add yours

  1. Lu Cury diz:

    Lindo isso… Adorei o blog, o site e o trabalho de vocês. Espero poder trabalharmos juntos em breve.

    Sou uma designer gráfica/arquiteta apaixonada por plantas e pretendo começar minha horta orgânica ainda este ano. Grande abraço

    1. sfrr diz:

      Demais né? Valeu por prestigiar nosso trabalho e boa colheita em 2012! Qual o seu e-mail para enviarmos um catálogo? Abraços de toda a equipe do Instituto.

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