Casa ecológica: jardim sobe a escada e vai para o telhado

Publicado originalmente por Valdir Sanches no Diário do Comércio de São Paulo em novembro de 2010. Faça aqui o download do artigo original em PDF.Diario do Comercio nov10

Quando visita seus clientes, Sérgio Rocha se apresenta levando não uma convencional pasta na mão, mas uma caixa de plantas sobre o ombro. Como um chacareiro levaria sua cesta de verduras. A caixa é a alma de seu negócio. Ela pode dar conforto em uma casa, livrar um bairro de enchentes e ajudar a atmosfera global. O que Sérgio carrega é um módulo de telhado verde. O engenheiro agrônomo desenvolveu uma técnica própria para cobrir telhados com plantas. Em vez da laje bruta, ardendo ao sol, o frescor de um gramado e um canteiro de folhagens. A tal caixa sobre os ombros – o módulo – é de plástico e tem 40 centímetros por 50 centímetros, com 9 cm de altura. Reúne tudo o que se precisa para colocar plantas em telhados. Ela se encaixa a outras iguais, para cobrir a extensão desejada. Na parte de baixo existem copinhos que armazenam água. Acima deles vai o substrato (em lugar de terra), com cinco centímetros de altura: um preparado com argila e composto orgânico, como resíduos de cana. Aí são plantadas as mudas.

Raízes – As raízes das plantinhas penetram no substrato e chegam aos copinhos de água. “Comida” e água à vontade. Os copinhos têm furos para drenagem. Se cair um temporal, o excesso de água sai para canaletas da caixa e é levado para o sistema de escoamento do telhado (calhas, por exemplo). Uma das vantagens do substrato é pesar bem menos do que terra vegetal. Assim, fará menor pressão sobre o telhado em que o sistema for aplicado. Bem, e que plantas é possível ter? Até árvores como uma jabuticabeira, garante Sérgio Rocha. Mas o comum são plantinhas que chegam a 40 cm de altura. As mais indicadas são as chamadas suculentas. Elas armazenam água em suas folhas. Isso é importante, porque as condições dos telhados verdes com frequência se assemelham às dos desertos. Durante o dia, lá em cima, diretamente sob a inclemência do sol, pode haver temperaturas superiores a 40° C; à noite, pode cair para 11° C. Além disso, os lugares estão sujeitos a ventos intensos, geadas. E a secas. Nos períodos de seca (ou quando o proprietário se esquecer de regar), as plantinhas suculentas usam a água guardada em suas folhas. Mas há uma variedade de outras plantas indicadas, como folhagens de diversos tipos e grama. Entre estas, a grama amendoim (de folhas arredondadas) e a esmeralda, igual à dos campos de futebol. Nestes casos, não se pode descuidar da regadura, a ser feita a cada três ou quatro dias (um sistema de irrigação simples pode ser instalado, com torneira no térreo).

Árvores – Sérgio diz que o plantio de árvores, como a jabuticabeira, é possível com a criação de um canteiro. Ou uma técnica que consiste em concentrar mais terra sobre os módulos. Independente do tipo de planta, os telhados verdes exigem manutenção a cada seis meses. É preciso subir no telhado e ver se não surgiram plantas invasoras. Pássaros, morcegos, o vento, podem trazer sementes. Sérgio diz que já foram achadas sementes de árvores grandes, como figueira e embaúba. Os telhados verdes beneficiam as casas, porque servem como isolante térmico. Menos calor dentro de casa, mais economia com ventiladores e ar condicionado. No tocante ao bairro, à cidade, contribuem para a qualidade do ar, já que as plantas retém o carbono poluente e liberam oxigênio na atmosfera.

Efeito estufa – As plantinhas suculentas, diz Sérgio, retém 50 toneladas de carbono por hectare (10.000 metros quadrados). É uma boa contribuição para ajudar no combate ao aquecimento global, o vilão de nossos tempos. Os telhados verdes também colaboram na redução de enchentes. Retém a água da chuva, que vai sendo liberada aos poucos. Assim, deixam de despejar sobre o solo grandes volumes de água de uma vez, que se tornam tributários das inundações. Coberturas verdes em prédios surgiram em São Paulo como paisagismo. Na década de 1950, Burle Marx, memorável paisagista (1909- 1994), criou um jardim suspenso no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. Também há um grande jardim sobre o Edifício Conde Matarazzo, onde está instalada a Prefeitura, na esquina da Rua Líbero Badaró com o Viaduto do Chá. Os telhados verdes, como tal, são uma técnica antiga no exterior. “Mas os primeiros modelos levavam muita terra, eram pesados”, diz Sérgio. As técnicas modernas surgiram na Alemanha, em fins de 1960. Naquele país, 13,5 milhões de metros quadrados de verde cobrem 15% dos telhados (dados de 2001). O maior deles é o do Aeroporto de Frankfurt, com 45 mil m2 de verde – o que ajuda a reduzir o ruído dos aviões. Na Espanha, o maior teto verde do País é o do Banco Santander, na cidade do mesmo nome. No Brasil, estamos começando. Em todo caso, só o Instituto Cidade Jardim, empresa de Sérgio, instalou 6 mil metros quadrados em cidades de vários Estados brasileiros, em dois anos e meio de atividade.

Técnica permite horta suspensa

O telhado verde, com os módulos criados por Sérgio Rocha, tem três tipos. O básico, com mudas bem novas, uma semana a dez dias de plantio, por R$ 120 o metro quadrado. O premiun, com mudas adultas, dois meses de plantio, a R$ 170 o m2. E o gramado, com grama adulta, de um só padrão, a R$ 125 o m2. A esses valores devem-se acrescentar os custos da instalação, em média R$ 35 o m2. E o frete, que depende da distância a ser percorrida.

Horta – Além do telhado inteiro, há outras possibilidades. Pode-se comprar 1 m2 (cinco peças) de módulos vazios, para fazer uma pequena horta no quintal. Vão bem morango, alface, temperos. Basta encher os copinhos com água, e a parte de cima com terra. O metro quadrado custa R$ 60. Outra possibilidade é plantar grama. Neste caso, pode haver um tipo específico de serventia para quem tem cachorro em casa.

Por ora, os módulos não estão em lojas ou supermercados. Da mesma forma não há representante em São Paulo. A sede fica em Itu, a 92 quilômetros da Capital. Quem quiser comprar os módulos, ou todo o telhado verde, deve ligar para (11) 2429-4720 ou (11) 2715-0749 (é preciso usar o código da operadora).


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