Moradias em SP podem receber “floresta” no telhado para diminuir calor

Artigo publicado originalmente por Fernando Gazzaneo, do portal de noticias R7.

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O conjunto habitacional Rubens Lara, em Cubatão (cidade a 56 km de São Paulo), recentemente ganhou fama ao ser considerado pela ONU (Organização das Nações Unidas) referência em habitação social sustentável. Embora seja usado como exemplo pela organização internacional, para a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) paulista – responsável pela obra – o lugar tem funcionado apenas como base para projetos com tecnologias que causem menos danos ao meio ambiente.

A equipe técnica da companhia estuda implantar em novas construções, por exemplo, estrutura para captação de água da chuva e “tetos verdes”, que ajudam a diminuir o calor dentro dos apartamentos durante o verão, garantindo a redução do uso de ventiladores e ar condicionado.

Os prédios do Rubens Lara se tornaram referência em habitação social de menor impacto por possuírem aquecedores solares para os chuveiros, janelas mais amplas, medição individual do consumo de água (que ainda não estava funcionando até a publicação desta notícia) e teto branco para rebater os raios do sol, reduzindo o uso do ar condicionado. Segundo a companhia de habitação, 1.850 famílias das 7.000 que foram retiradas pelo governo de ocupações irregulares na Serra do Mar devem ir morar no local.

Ideias sustentáveis

Em 2010, a CDHU realizou um concurso público que contou com a participação de escritórios de arquitetura de todo o país. Os profissionais contribuíram com ideias novas para moradias populares sustentáveis. Segundo Gil Scatena, assessor de sustentabilidade da Secretaria de Habitação, a área de projetos da companhia está, neste ano, avaliando quais desses trabalhos poderão ser executados.

A adoção de estruturas para captar água da chuva está na pauta de discussões da CDHU. O sistema possibilitaria que os prédios usassem a água para limpeza de áreas coletivas e manutenção dos jardins. A técnica foi discutida recentemente com o Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, que estabeleceu um canal de comunicação entre a ONU e a CDHU. Scatena afirma, porém, que existem questões de segurança nesse método que precisam avaliadas.

– A adoção de um sistema que recolha a água da chuva passa por uma questão de segurança. Estamos falando da construção de larga escala e precisamos ter a certeza de que essa água não será consumida pelos moradores. A USP (Universidade de São Paulo) nos ajudou com algumas sugestões, como tingir com um corante a água não potável ou usar mangueiras com pontos de segurança. Esperamos que neste ano ou no próximo possamos trabalhar com um [projeto] piloto.

A engenheira e membro do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, Vera Hachich, explica que é possível utilizar a água da chuva, mas para isso é preciso tratá-la antes. Os condomínios seriam obrigados a ter um sistema de tratamento dessa água, “o que é caro e exige que a gestão seja feita por profissional”. Já o engenheiro Henrique Ferreira, da Inovatech, explica que um tratamento com cloro pode fazer com que as águas pluviais sejam utilizadas nas descargas sanitárias e áreas ajardinadas.

Tetos verdes também estão entre as técnicas discutidas. O sistema consiste em plantar um jardim na cobertura dos edifícios. A CDHU trabalha com a possibilidade de adotar esse método, mas questiona a manutenção e os custos da obra. Como explica Vera Hachich, os telhados verdes geralmente exigem investimentos no reforço da estrutura do topo do prédio e impermeabilização dele.

Falta de moradia
Apesar do reconhecimento da ONU, as discussões sobre sustentabilidade na CDHU estão só no começo. Uma política verde foi estabelecida em 2007 e, atualmente, a companhia tenta cruzar as diversas possibilidades de construção sustentável com a necessidade de atender a um déficit habitacional de quase um milhão de moradias. É por isso que o assessor de sustentabilidade da companhia, Gil Scatena, prefere descartar o título de “casa sustentável” para o conjunto Rubens Lara e usar “construção de menor impacto ambiental”.

– O que aconteceu foi que a CDHU mergulhou no mundo da construção civil sustentável, que já estava bastante avançada. Foi um baque. A reação frente a esse cenário foi de “respirar fundo” e ver como é possível equacionar esse universo de saídas dentro da realidade da companhia.

Scatena conta que as escolhas feitas para a construção do Rubens Lara, como as janelas e as áreas com jardins, também são alvo de melhorias para construções futuras. Ele explica que as implantações dos espaços verdes entram em conflito, principalmente, com a preferência dos moradores por áreas de estacionamento.

– As janelas [do Rubens Lara] são maiores e permitem maior ventilação cruzada. Mas quando trouxemos técnicos da ONU, eles fizeram observações do modelo de janelas. Então, acredito que será outra questão que a gente vai ter que avaliar [em construções futuras]. Podemos pensar em janelas que se abram totalmente, o que facilitaria ainda mais a iluminação natural e a passagem do ar.

O traçado do desenho universal, que torna possível adaptar o apartamento, a qualquer momento, para moradores com mobilidade reduzida, também estão sendo “adotadas progressivamente”. Ele conta que a CDHU disponibiliza uma cota de apartamentos adaptados no térreo dos edifícios. A ideia da companhia é ampliar esse desenho universal para as demais habitações.

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