2084 – Um pesadelo Orwelliano

A crise climática é um dilema: se acelera a economia, mais lenha na fogueira e aumentam as emissões. Se aumentam as emissões, aumenta a temperatura e se agrava a crise. Então é inevitável analisar o cenário econômico sem levar em consideração variáveis como ‘mudanças climáticas’, ‘economia de carbono’, ‘adaptação urbana’…

Para brincar um pouco com nossa imaginação, o jornalista Tim Flannery, autor do best seller ‘Os Senhores do Clima’, sugere três cenários possíveis sobre nossa habilidade de enfrentamento ao problema – “nosso futuro pode bem envolver projetos de geoengenharia em grande escala para otimizar o clima”, opinou Paul Crutzen (Prêmio Nobel por suas contribuições para controle global de CFCs), na revista  Nature em 2002. É uma idéia que merece ser explorada, e para comerçar sugiro examinar o grande jogo de modificação climática em que a humanidade está envolvida frente a 3 cenários:

1) Reação Lenta e Descoordenada: Nossa reação para limitar as emissões é tardia e desorganizada para evitar mudanças que destroem os sistemas de suporte de vida da Terra e desestabilizam nossa civilização global. Em consequência, os seres humanos são lançados em uma prolongada Idade das Trevas, muito pior do que qualquer outra que já existiu, pois as armas mais destruidoras já criadas continuarão a existir, enquanto os meios para regular o seu uso e manter a paz terão desaparecido. Essas mudanças podem começar já em 2050.

2) A humanidade age prontamente – em níveis individual, nacional e corporativo – para reduzir as emissões, e assim evita as consequencias climáticas mais sérias. Com base nas tendências atuais precisaremos começar uma descarbonização significativa de nossas redes de eletricidade em 2030 e ter descarbonizado de modo considerável os meios de transporte em 2050. Se formos bem-sucedidos, em 2150 os níveis dos gases do efeito estufa terão baixado ao ponto do planeta poder controlar novamente seu termostato.

3) As emissões são reduzidas de modo a evitar o pior cenário, mas há sério dano aos ecossistemas terrestres. Com o clima do mundo na corda bamba, a concepção de Crutzen de projetos internacionais de geoengenharia torna-se obrigatória. A civilização passará décadas ou séculos oscilando à beira do abismo e, durante esse período, o ciclo do carbono terá que ser estritamente controlado por grandes e pequenos projeto de geoengenharia. Esse é o que Flannery chama de “pesadelo Orwelliano”, em um futuro próximo onde todos os cidadãos planetários serão monitorados e controlados quanto suas emissões de carbono.

Há 250 anos, os arredios homens das terras altas da Escócia, que não conheciam a língua inglesa, o dinheiro ou as calças, guiavam os rebanhos, que eram sua única riqueza, até os mercados das cidades inglesas onde podiam comprar luxos como sal e pólvora. Hoje em dia, nenhum cidadão de um país desenvolvido tem semelhante domínio sobre sua vida, como o daqueles montanheses esquivos, pois somos os descendentes daqueles que trocaram tal “liberdade” por um governo estável, três refeições por dia, transportes fáceis e máquinas sofisticadas que nos alertam para a mudança climática.

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