Para que a cobertura verde tenha realmente um papel de auxílio à sustentabilidade, que aspectos devem ser considerados? Qual o desempenho dessas coberturas ao longo do tempo?

Artigo publicado originalmente na revista Téchne número 162.

Por SÉRGIO ROCHA

Telhados verdes oferecem uma estratégia inteligente e de alto impacto para amenizar a aridez e os efeitos das mudanças do clima nas cidades modernas. Inúmeras cidades por todo o mundo já reconhecem esses serviços e oferecem incentivos fiscais e reduções de impostos, sinalizando mudanças de rumo no planejamento e reestruturação da infraestrutura urbana. Grandes obras públicas e privadas já caminham nessa direção. Para criar e manter esses novos ecossistemas em longo prazo, a composição da tecnologia de cultivo sobre áreas impermeáveis é fundamental – todos os componentes do telhado verde devem colaborar para seu desempenho ao longo do tempo em condições adversas: engenharia de drenagem, armazenamento de água, espaço/volume para crescimento de raízes, substrato leve e em proporções adequadas para que não seja necessária a reposição constante, seleção de plantas (um gramado consome pelo menos quatro vezes mais água do que algumas espécies de plantas suculentas).

Uma vez bem estabelecido, o telhado verde tem longa durabilidade. Um artigo publicado em maio deste ano na revista especializada norte-americana Ecological Engineering compara a performance a longo prazo de diversos telhados verdes construídos em Berlim desde 1880. O estudo comparou esses sistemas antigos aos sistemas modernos estabelecidos a partir da década de 1980. Segundo os autores, os telhados verdes modernos têm um desempenho muito superior aos sistemas antigos, devido às tecnologias aplicadas, havendo correlação positiva entre a capacidade de armazenamento de água do sistema e o índice de cobertura vegetal. Sistemas de armazenamento de água da chuva ajudam na eficiência do telhado verde, mas não excluem uma avaliação da necessidade de irrigação, que pode ser obrigatório para algumas espécies. Um plano mínimo de manutenção é recomendável.

Sérgio Rocha, engenheiro-agrônomo
diretor do Instituto Cidade Jardim

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