Arquivo da categoria: Notícias | Telhado Verde

Seleção de mídia sobre o tema telhados verdes e jardins suspensos.

Telhado verde torna possível quintais urbanos em larga escala, e ainda aumenta a vida útil da impermeabilização de lajes e telhados.

14213435

Imagine uma tecnologia que pudesse, em 12 meses, dobrar a área de permeabilidade de um bairro ou uma região inteira. Por estarmos diretamente envolvidos com a causa, achamos muito importante a reportagem da Paula Cabrera na Folha de São Paulo desde domingo 03/08 ( ‘Casas e condomínios trocam telhas por gramados e plantas‘).

Não que as piscinas não sejam as mais desejadas pela maioria dos empreendimentos, mas o aumento do número de projetos de telhado verde no Brasil já demonstra uma tendência, cada vez mais forte, de valorização das coberturas verdes, ajardindas.

É como se o seu condomínio vertical passasse a oferecer, além dos espaços para lazer de praxe, espaços verdes amplos ao ar livre com gramados, flores, horticultura, etc.

Além dos benefícios óbvios de jardins e espaços ao ar livre, o telhado verde aumenta a capacidade de absorção de água de áreas totalmente impermeáveis, atrasando a chegada da água ao sistema de escoamento público. Obviamente isso pode ser mensurado.

Entretanto, quando se pensa na ajardinamento em larga escala das lajes e telhados, uma série de dúvidas vêm a tona. Geralmente a primeira está relacionada ao custo. Fala-se em aumentos em torno de 30% no custo da cobertura. É preciso, porém, se levar em consideração os mais de 40 anos de experiência européia neste assunto.

Aumentando a vida útil da membrana de impermeabilização

Os mais de 40 anos de experiência européia com a aplicação em larga escala de telhados verdes comprovam o valor do cultivo de plantas para a proteção das membranas de impermeabilização. As membranas ou mantas de impermeabilização, que protegem as lajes de goteiras e infiltrações, se deterioram rapidamente quando expostas a radiação UV do sol, tornando-se quebradiças. Consequentemente, ficam muito mais vulneráveis a danos da expansão e contração de materiais causada pela altíssima variação de temperaturas em um telhado. (Porsche & Köhller 2003).

Ao proporcionar uma barreira física sobre a camada de impermeabilização – protegendo-a desta flutuação de temperatura e da incidência de raios UV, um telhado verde estende a vida útil da membrana impermeabilizante em mais de 20 anos (USEPA 2000).

Um case interessante é a unidade de tratamento e filtragem de água em (Seewasserwerk Moos) Wollishofen, Zurique, Suiça. Construída em 1914, mantém a impermeabilidade da membrana intacta mesmo após 100 anos de colonização dos 36.000 m2 de lajes com uma diversa flora, incluindo uma comunidade de espécies raras de orquídeas (Bioscience 2007).

moos1 moos6 moos5

Isso significa que comparado ao padrão de durabilidade de lajes com manta asfáltica (10 anos é a média para necessidade de refazer todo o sistema de impermeabilização) e lajes com cobertura de argila expandida (15 anos para reforma), um telhado verde promete (desde que seja bem feito) reduzir seus problemas com infiltração, além de evitar a reforma completa da impermeabilização, pelo menos dobrando sua vida útil.

É possível se quantificar estes e outros serviços ambientais pagos por um telhado verde e compará-lo a outros tipos de investimentos de infraestrutura.

O investimento inicial é mais caro? Pode ser, e é justamente por isso que praticamente todas as grandes cidades nos mais diversos países do mundo já apresentam iniciativas de incentivo financeiros e fiscais para quem converte lajes e telhados secos para telhados e coberturas verdes.

Pois é, como sempre, colhemos o que plantamos.

********************

Referencias citadas:

Porsche U, Köhler M. 2003. Life cycle costs of green roofs: A comparison of Germany, USA, and Brazil. Proceedings of the World Climate and Energy Event; 1–5 December 2003, Rio de Janeiro, Brazil.

[USEPA] US Environmental Protection Agency. 2000. Vegetated Roof Cover: Philadelphia, Pennsylvania. Washington (DC): USEPA. Report no. EPA 841-B-00-005D.

BioScience 2007. Green Roofs as Urban Ecosystems: Ecological Structures, Functions, and Services.Erica Oberndorfer, Jeremy Lundholm, Brad Bass, Reid R. Coffman, Hitesh Doshi, Nigel Dunnett, Stuart Gaffin, Manfred Köhler, Karen K. Y. Liu, And Bradley Rowe. November 2007 / Vol. 57 No. 10

Quer conhecer como foram executados alguns de nossos projetos? Confira a nova seção ‘Telhados Verdes’ no site do Studio Cidade Jardim

Telhado verde casa cobogó
Telhado verde casa cobogó

O Studio Cidade Jardim lança nesta semana sua nova seção de estudos de caso sobre telhados verdes. É uma seleção de projetos premiados e que receberam destaque pelos desafios técnicos e de performance. ‘Queremos apresentar um pouco de nossas experiências nestes 6 anos de trabalho do Instituto e provar que é possível converter qualquer laje ou telhado seco em um telhado verde e vivo’ afirma Sérgio Rocha, um dos idealizadores do projeto. Confira mais no studiocidadejardim.com.br

Dira Paes e Angélica no telhado verde do Village Mall Rio

Angélica e Dira Paes preparam salada no telhado verde do Village Mall, no Rio.

angelicaediratelhadoverde

Os telhados verdes estiveram em pauta neste fim de semana.

A entrevistadora Angélica entrevistou a atriz Dira Paes para seu programa Estrelas deste sábado, 10. A atriz conheceu o telhado verde do shopping center Village Mall (Rio) e preparou uma salada com Angélica: ‘Fazer um prato com o que você plantou é mais gostoso’.

As duas ainda conversaram sobre alimentação saudável e sobre o cultivo de jardins e hortaliças em telhados: “É uma tendência que vem crescendo. Você pode reduzir em até 70% a temperatura do ambiente e ajudar na redução do consumo de energia”(…).

O telhado verde do Village Mall foi cultivado com o sistema Modular 4L pelo Instituto Cidade Jardim em novembro de 2012 – veja aqui o passo-a-passo da montagem.

Confira o vídeo completo e a reportagem no link da globo.com

 

 

Telhados verdes avançam, mas programas de incentivo precisam evoluir.

Imagem

Por Edilaine Felix em O Estado de São Paulo de 14/12/2013.

O conforto ambiental que vêm de cima

Telhados verdes são opção para reduzir a temperatura e aumentar umidade do ar em edificações; e ainda podem diminuir gastos

Elas podem ser feitas de pe- quenos jardins ou de áreas maiores com árvores de porte razoável e espelho d’água. Podem até mesmo abrigar pequenas hortas, como no topo do Shopping Eldorado, na zona oeste de São Paulo. Mas o fato é que as coberturas verdes no topo de edifícios reduzem a temperatura e aumentam a umidade do ar do local.

A conclusão é de um estudo que comparou um prédio que possui um “pequeno bosque” no seu topo, o edifício-sede da Prefeitura de São Paulo, o Conde Matarazzo, com o Edifício Mercantil/Finasa, que possui telhado de concreto. Ambos estão localizados no centro da capital paulista. O resultado do estudo do geógrafo e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) Humberto Catuzzo faz parte da sua tese de doutorado: Telhado verde – impacto positivo na temperatura e umidade do ar.

“Analisadas a temperatura e a umidade relativa do ar, a primeira ficou 5,3 graus Celsius menos quente (na Prefeitura) em relação ao Mercantil e a segunda ficou 15,7% maior”, diz o geógrafo. O Matarazzo tem uma área de cobertura de dois mil metros quadrados, sendo que a área de jardineiras é de 484 m2.

O telhado verde da Prefeitura é denominado, segundo Catuzzo, de intensivo – composto por árvores e arbustos, grama permanente e exige alta manutenção. “Também é chamado de telhado jardim.”

O pesquisador explica que existem ainda outros dois tipos de telhado: o extensivo, com vegetação rasteira, geralmente gramíneas, e o classificado como semi-intensivo, constituído por gramíneas e arbustos. Na cobertura do Edifício Matarazzo há espécies arbóreas de porte médio a alto, nativas e exóticas, incluindo palmeiras e um espelho d’água com 30 m2, com carpas, informa a administração.

Segundo o geógrafo, os benefícios dessa cobertura são grandes, mas temperatura e umidade relativa do ar são os principais. Catuzzo também destaca que ela representa redução no gasto de energia, pois aumenta o conforto térmico interno da edificação, diminuindo o uso do aparelho de ar condicionado. Por fim, ele lembra: antes de ser instalado é necessário calcular se as estruturas suportarão o sobrepeso de um telhado verde.

No mercado. Apesar dos benefícios, esse tipo de cobertura é muito pouco utilizada pelo mercado imobiliário. A construtora e incorporado Even, no entanto, informa possuir mais de 30 empreendimentos com telhados verdes. “Nos nossos telhados priorizamos espécies de baixa manutenção. Por isso, trabalhamos mais com espécies diversas de suculentas”, diz o diretor executivo de sustentabilidade da empresa, Silvio Gava.

As suculentas são plantas com folhas gordas e cheias de líquido, que aguentam passar o dia todo sob o sol.

Gava conta que a Even utiliza essas coberturas principalmente em lajes que cobrem o pavimento térreo, guaritas e similares. “Elas reduzem bem a temperatura dos ambientes e, portanto, há uma economia de energia no uso de ar condicionado”, diz o diretor da Even.

“E também existe um fator estético, porque o visual das unidades se torna mais agradável, já que, em vez de lajes, há jardins”, acrescenta Gava.

Shopping center tem horta cultivada com lixo orgânico

Eldorado planeja ampliar a área de cultivo e ter plantas em toda a extensão do seu teto de 9.800 metros quadrados

O Shopping Eldorado, em Pi- nheiros, na zona oeste da capi- tal, tem uma horta de 2.500 me- tros quadrados em sua cobertu- ra de 9.800 m2.

No telhado são cultivados capim-cidreira, hortelã, erva do-ce, carquejo, malva, sálvia, alecrim, bálsamo e poejo, berinjela, jiló, cebola, pimentões, pimentas, salsinhas, alfaces, gengibre, tomates, manjericão, morango, pepino, abobrinha, gazânia e lavanda, que dão colorido e um cheiro agradável ao local.

Alimentação. “A ideia surgiu pela necessidade de diminuir o lixo orgânico produzido na praça de alimentação que chega a 300 toneladas de alimentos por mês”, afirma o gerente de operações do Shopping Eldorado e um dos idealizadores do projeto, Marcio Glasberg.

Todo esse resíduo orgânico é separado, passa por um sistema de compostagem, instalado no próprio shopping, e produz 14 toneladas de material por mês, que é utilizado para adubar as plantas da cobertura.

“Além do benefício de produzir alimentos, existe o ganho indireto de não ter o sol direto na laje, diminuindo o uso de energia (para refrigerar a área interna) e água.”

De acordo com Glasberg, em cinco anos o shopping center pretende estar com toda a sua cobertura tomada por área verde. “Teremos um jardim, com árvores.”

Projeto obriga edifícios a ter cobertura verde

O diretor executivo do Instituto Cidade Jardim, Sérgio Rocha, diz que é bom haver políticas públicas a respeito, mas é contra a obrigatoriedade. Ele se refere ao Projeto de Lei 1.703/11 do deputado Jorge Tadeu Mudalen (DEM-SP), em tramitação na Câmara Municipal de São Paulo e que obriga condomínios com mais de três andares a instalar telhados verdes em suas coberturas, “O projeto precisa ser melhor avaliado e pensar nos modelos e nos impactos para cada região. Deve haver políticas de incentivo”, afirma.

Para ele, é necessário avaliar o zoneamento da cidade para conhecer as áreas que sofrem mais com as enchentes e então aplicar políticas de acordo com cada região.

“O telhado verde traz mais benefícios para grandes áreas, locais próximos de rios e no entorno de morros, auxiliando na drenagem de água e reduzindo enchentes”, afirma.

Para o geólogo Humberto Catuzzo, as políticas públicas são fundamentais para a implantação de telhados verdes. “Em cidades da Europa e dos Estados Unidos, o poder local por meio de políticas públicas concedem incentivos financeiros para a implantação dos telhados, ou até mesmo redução na cobrança de impostos para quem implantá-los”, diz.

Permeável. Para Rocha, o telhado verde é uma ferramenta. “Ele converte uma área de concreto em permeável. Por isso, pensamos em uma tecnologia que leve em consideração a sustentabilidade, as enchentes e a energia”, diz.

Para entender mais sobre o funcionamento desses telhados, Rocha visitou a Europa, que tem, inclusive, políticas públicas para a implantação de coberturas verdes.

Hoje, o instituto conta com uma equipe de engenheiros, arquitetos e biólogos, que fazem uma análise estrutural do prédio para identificar qual o melhor tipo e telhado verde a ser aplicado no local. “Precisamos saber também se é para cultivo, ou para melhorar a drenagem.” Segundo Rocha, um estudo americano revelou que os impactos na temperatura e na umidade do ar em edifícios com telhados verdes podem variar de 7% a 70%, dependendo do tipo adotado. Os custos para instalação de um telhado verde podem variar conforme a tecnologia adotadas e os materiais utilizados, Em São Paulo, o preço do metro quadrado com montagem pode sair de R$ 150 até R$ 300.

 

MM House / Studio MK27 – Marcio Kogan + Maria Cristina Motta

Publicado originalmente em 20/08/2013 em www.archdaily.com

From the architect. The MM House organization is set by the intersection of two perpendicular axes on a single ground floor. Along one axis is the horizontal volumetry of the house, with its green roof that lifts the grass of the land and merges with the surrounding construction. Along the other axis, there is emptiness: a wooden deck and pool.

At the intersection of these axes, a terrace holds the social spaces of the house, including a kitchen and a living. With permanent cross ventilation, the atmosphere is inviting, even with the high temperatures of São Paulo state, in southeastern Brazil. This terrace is the transition between interior and exterior. It divides the house into two blocks of wood. The southern block contains the garage and TV room while the northern block holds rooms, kitchen and services. The ceilings create a spatiality: over the terrace it is a low concrete porch and over the living room it is inclined as the roof design and made out of wooden slats.

The climate issue is key for the habitability of the house. All spaces are provided with ventilation through wooden folding doors, brises-soleil that can be fully opened. Moreover, the green roof acts as an insulator, besides creating the peculiarity of the volume.

   

Section
Architects: Studio MK27 – Marcio Kogan + 
Location: Bragança Paulista, São Paulo, 
Collaborators: Carolina Castroviejo, Mariana Simas, Oswaldo Pessano
Project Team: Carolina Castroviejo, Eduardo Glycerio, Lair Reis Renata Furlanetto, Samanta Cafardo, Suzana Glogowski
Area: 715 sqm
Year: 2012
Photographs: FG+SG – Fernando Guerra
Interior Design: Diana Radomysler
Technical Drawings: Fernando Botton
Landscape Designer: Renata Tilli
Structural Engineering: Benedicts Engenharia – Eng. Eduardo Duprat
Construction Manager: SC Consult – Eng. Sérgio Costa
Contractor: CPA Engenharia – Eng. Paulo Renó
Site Area: 4,500 sqm 

Caboclo no Amazonas inspirou a tecnologia

Por Valdir Sanches.

Um prosaico telhadinho de galinheiro, feito por um caboclo de Manaus (AM), inspirou o meio de vida do agrônomo Sérgio Rocha e sua mulher, a especialista em agroecossistemas Fabiana Scarda. O telhadinho tinha plantas em cima, para não expor as galinhas ao calor. Com a mesma técnica, aprimorada, o casal e um terceiro sócio, Ricardo Scarda, pai de Fabiana, já cobriram telhados de casas ou empresas em inúmeras cidades, entre elas São Paulo, Rio e Brasília. Em São Paulo, há clientes como o Banco do Brasil, de Pirituba, e o Bradesco de Perdizes. A Universidade de Campinas (Unicamp) e o mineiro Uberlândia Shopping Center também receberam a cobertura verde.

Sérgio e Fabiana, ambos com 34 anos, se conheceram durante o antigo curso colegial, em Itu, onde nasceram. Fizeram faculdade, ele de agronomia em Botucatu,ela de ecologia, em Rio Claro. Dois “verdes” acabariam logicamente na Amazônia. Em Tefé, no oeste do estado do Amazonas, Fabiana atuou na Reserva de Mami- rauá. A cidade está às margens do Rio Solimões e do Lago de Tefé. Em suas praias, os ribeirinhos cultivam alimentos como melancia e mandioca. Sérgio seguiu Fabiana.

Um ano depois faziam mestrado em Florianópolis. De volta a Manaus, acabaram conhecendo a permacultura, que usa meios ecológicos e economicamente viáveis para suprir necessidades básicas do homem. Assim como o galinheiro com telhado verde. “Quando vi o galinheiro achei genial”, recorda Sérgio. “Disse que o autor devia receber o Prêmio Nobel”. Foi à internet, e descobriu que telhados verdes eram práticas mundiais. Mas ele e Fabiana se apaixonaram por isso. E desenvolveram seu próprio sistema.

Publicado originalmente por Valdir Sanches no Diário do Comércio de São Paulo em novembro de 2010. Faça aqui o download do artigo original em PDF.Diario do Comercio nov10

Visite a página do Instituto Cidade Jardim no Facebook e conheça um pouco mais o trabalho do Instituto Permacultura da Amazônia.