Instituto Cidade Jardim

Amplie os limites do seu jardim

Arquivo de Notícias | Telhado Verde

MM House / Studio MK27 – Marcio Kogan + Maria Cristina Motta

Publicado originalmente em 20/08/2013 em www.archdaily.com

From the architect. The MM House organization is set by the intersection of two perpendicular axes on a single ground floor. Along one axis is the horizontal volumetry of the house, with its green roof that lifts the grass of the land and merges with the surrounding construction. Along the other axis, there is emptiness: a wooden deck and pool.

At the intersection of these axes, a terrace holds the social spaces of the house, including a kitchen and a living. With permanent cross ventilation, the atmosphere is inviting, even with the high temperatures of São Paulo state, in southeastern Brazil. This terrace is the transition between interior and exterior. It divides the house into two blocks of wood. The southern block contains the garage and TV room while the northern block holds rooms, kitchen and services. The ceilings create a spatiality: over the terrace it is a low concrete porch and over the living room it is inclined as the roof design and made out of wooden slats.

The climate issue is key for the habitability of the house. All spaces are provided with ventilation through wooden folding doors, brises-soleil that can be fully opened. Moreover, the green roof acts as an insulator, besides creating the peculiarity of the volume.

   

Section
Architects: Studio MK27 – Marcio Kogan + 
Location: Bragança Paulista, São Paulo, 
Collaborators: Carolina Castroviejo, Mariana Simas, Oswaldo Pessano
Project Team: Carolina Castroviejo, Eduardo Glycerio, Lair Reis Renata Furlanetto, Samanta Cafardo, Suzana Glogowski
Area: 715 sqm
Year: 2012
Photographs: FG+SG – Fernando Guerra
Interior Design: Diana Radomysler
Technical Drawings: Fernando Botton
Landscape Designer: Renata Tilli
Structural Engineering: Benedicts Engenharia – Eng. Eduardo Duprat
Construction Manager: SC Consult – Eng. Sérgio Costa
Contractor: CPA Engenharia – Eng. Paulo Renó
Site Area: 4,500 sqm 

Oportunidades de trabalho!!

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Caboclo no Amazonas inspirou a tecnologia

Por Valdir Sanches.

Um prosaico telhadinho de galinheiro, feito por um caboclo de Manaus (AM), inspirou o meio de vida do agrônomo Sérgio Rocha e sua mulher, a especialista em agroecossistemas Fabiana Scarda. O telhadinho tinha plantas em cima, para não expor as galinhas ao calor. Com a mesma técnica, aprimorada, o casal e um terceiro sócio, Ricardo Scarda, pai de Fabiana, já cobriram telhados de casas ou empresas em inúmeras cidades, entre elas São Paulo, Rio e Brasília. Em São Paulo, há clientes como o Banco do Brasil, de Pirituba, e o Bradesco de Perdizes. A Universidade de Campinas (Unicamp) e o mineiro Uberlândia Shopping Center também receberam a cobertura verde.

Sérgio e Fabiana, ambos com 34 anos, se conheceram durante o antigo curso colegial, em Itu, onde nasceram. Fizeram faculdade, ele de agronomia em Botucatu,ela de ecologia, em Rio Claro. Dois “verdes” acabariam logicamente na Amazônia. Em Tefé, no oeste do estado do Amazonas, Fabiana atuou na Reserva de Mami- rauá. A cidade está às margens do Rio Solimões e do Lago de Tefé. Em suas praias, os ribeirinhos cultivam alimentos como melancia e mandioca. Sérgio seguiu Fabiana.

Um ano depois faziam mestrado em Florianópolis. De volta a Manaus, acabaram conhecendo a permacultura, que usa meios ecológicos e economicamente viáveis para suprir necessidades básicas do homem. Assim como o galinheiro com telhado verde. “Quando vi o galinheiro achei genial”, recorda Sérgio. “Disse que o autor devia receber o Prêmio Nobel”. Foi à internet, e descobriu que telhados verdes eram práticas mundiais. Mas ele e Fabiana se apaixonaram por isso. E desenvolveram seu próprio sistema.

Publicado originalmente por Valdir Sanches no Diário do Comércio de São Paulo em novembro de 2010. Faça aqui o download do artigo original em PDF.Diario do Comercio nov10

Visite a página do Instituto Cidade Jardim no Facebook e conheça um pouco mais o trabalho do Instituto Permacultura da Amazônia.


Alunos do EMEF Lourenço Carmignani conhecem o Instituto Cidade Jardim


Sinal de bom tempo no Instituto Cidade Jardim. Alunos e professoras do EMEF Lourenço Carmignani visitaram a área de produção e plantio de telhados verdes. A atividade, que fez parte da IV Olimpíada do Meio Ambiente , foi coordenada pela professora Angélica Bruni – o projeto ‘Casa dos Sonhos’ recebeu o segundo lugar e ajudou a plantar um novo olhar sobre o nosso jeito de morar. Muito obrigado pela oportunidade!

Veja mais fotos no facebook do Instituto Cidade Jardim: www.facebook.com/institutocidadejardim

Casa ecológica: jardim sobe a escada e vai para o telhado

Publicado originalmente por Valdir Sanches no Diário do Comércio de São Paulo em novembro de 2010. Faça aqui o download do artigo original em PDF.Diario do Comercio nov10

Quando visita seus clientes, Sérgio Rocha se apresenta levando não uma convencional pasta na mão, mas uma caixa de plantas sobre o ombro. Como um chacareiro levaria sua cesta de verduras. A caixa é a alma de seu negócio. Ela pode dar conforto em uma casa, livrar um bairro de enchentes e ajudar a atmosfera global. O que Sérgio carrega é um módulo de telhado verde. O engenheiro agrônomo desenvolveu uma técnica própria para cobrir telhados com plantas. Em vez da laje bruta, ardendo ao sol, o frescor de um gramado e um canteiro de folhagens. A tal caixa sobre os ombros – o módulo – é de plástico e tem 40 centímetros por 50 centímetros, com 9 cm de altura. Reúne tudo o que se precisa para colocar plantas em telhados. Ela se encaixa a outras iguais, para cobrir a extensão desejada. Na parte de baixo existem copinhos que armazenam água. Acima deles vai o substrato (em lugar de terra), com cinco centímetros de altura: um preparado com argila e composto orgânico, como resíduos de cana. Aí são plantadas as mudas.

Raízes – As raízes das plantinhas penetram no substrato e chegam aos copinhos de água. “Comida” e água à vontade. Os copinhos têm furos para drenagem. Se cair um temporal, o excesso de água sai para canaletas da caixa e é levado para o sistema de escoamento do telhado (calhas, por exemplo). Uma das vantagens do substrato é pesar bem menos do que terra vegetal. Assim, fará menor pressão sobre o telhado em que o sistema for aplicado. Bem, e que plantas é possível ter? Até árvores como uma jabuticabeira, garante Sérgio Rocha. Mas o comum são plantinhas que chegam a 40 cm de altura. As mais indicadas são as chamadas suculentas. Elas armazenam água em suas folhas. Isso é importante, porque as condições dos telhados verdes com frequência se assemelham às dos desertos. Durante o dia, lá em cima, diretamente sob a inclemência do sol, pode haver temperaturas superiores a 40° C; à noite, pode cair para 11° C. Além disso, os lugares estão sujeitos a ventos intensos, geadas. E a secas. Nos períodos de seca (ou quando o proprietário se esquecer de regar), as plantinhas suculentas usam a água guardada em suas folhas. Mas há uma variedade de outras plantas indicadas, como folhagens de diversos tipos e grama. Entre estas, a grama amendoim (de folhas arredondadas) e a esmeralda, igual à dos campos de futebol. Nestes casos, não se pode descuidar da regadura, a ser feita a cada três ou quatro dias (um sistema de irrigação simples pode ser instalado, com torneira no térreo).

Árvores – Sérgio diz que o plantio de árvores, como a jabuticabeira, é possível com a criação de um canteiro. Ou uma técnica que consiste em concentrar mais terra sobre os módulos. Independente do tipo de planta, os telhados verdes exigem manutenção a cada seis meses. É preciso subir no telhado e ver se não surgiram plantas invasoras. Pássaros, morcegos, o vento, podem trazer sementes. Sérgio diz que já foram achadas sementes de árvores grandes, como figueira e embaúba. Os telhados verdes beneficiam as casas, porque servem como isolante térmico. Menos calor dentro de casa, mais economia com ventiladores e ar condicionado. No tocante ao bairro, à cidade, contribuem para a qualidade do ar, já que as plantas retém o carbono poluente e liberam oxigênio na atmosfera.

Efeito estufa – As plantinhas suculentas, diz Sérgio, retém 50 toneladas de carbono por hectare (10.000 metros quadrados). É uma boa contribuição para ajudar no combate ao aquecimento global, o vilão de nossos tempos. Os telhados verdes também colaboram na redução de enchentes. Retém a água da chuva, que vai sendo liberada aos poucos. Assim, deixam de despejar sobre o solo grandes volumes de água de uma vez, que se tornam tributários das inundações. Coberturas verdes em prédios surgiram em São Paulo como paisagismo. Na década de 1950, Burle Marx, memorável paisagista (1909- 1994), criou um jardim suspenso no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. Também há um grande jardim sobre o Edifício Conde Matarazzo, onde está instalada a Prefeitura, na esquina da Rua Líbero Badaró com o Viaduto do Chá. Os telhados verdes, como tal, são uma técnica antiga no exterior. “Mas os primeiros modelos levavam muita terra, eram pesados”, diz Sérgio. As técnicas modernas surgiram na Alemanha, em fins de 1960. Naquele país, 13,5 milhões de metros quadrados de verde cobrem 15% dos telhados (dados de 2001). O maior deles é o do Aeroporto de Frankfurt, com 45 mil m2 de verde – o que ajuda a reduzir o ruído dos aviões. Na Espanha, o maior teto verde do País é o do Banco Santander, na cidade do mesmo nome. No Brasil, estamos começando. Em todo caso, só o Instituto Cidade Jardim, empresa de Sérgio, instalou 6 mil metros quadrados em cidades de vários Estados brasileiros, em dois anos e meio de atividade.

Técnica permite horta suspensa

O telhado verde, com os módulos criados por Sérgio Rocha, tem três tipos. O básico, com mudas bem novas, uma semana a dez dias de plantio, por R$ 120 o metro quadrado. O premiun, com mudas adultas, dois meses de plantio, a R$ 170 o m2. E o gramado, com grama adulta, de um só padrão, a R$ 125 o m2. A esses valores devem-se acrescentar os custos da instalação, em média R$ 35 o m2. E o frete, que depende da distância a ser percorrida.

Horta – Além do telhado inteiro, há outras possibilidades. Pode-se comprar 1 m2 (cinco peças) de módulos vazios, para fazer uma pequena horta no quintal. Vão bem morango, alface, temperos. Basta encher os copinhos com água, e a parte de cima com terra. O metro quadrado custa R$ 60. Outra possibilidade é plantar grama. Neste caso, pode haver um tipo específico de serventia para quem tem cachorro em casa.

Por ora, os módulos não estão em lojas ou supermercados. Da mesma forma não há representante em São Paulo. A sede fica em Itu, a 92 quilômetros da Capital. Quem quiser comprar os módulos, ou todo o telhado verde, deve ligar para (11) 2429-4720 ou (11) 2715-0749 (é preciso usar o código da operadora).


Moradias em SP podem receber “floresta” no telhado para diminuir calor

Artigo publicado originalmente por Fernando Gazzaneo, do portal de noticias R7.

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O conjunto habitacional Rubens Lara, em Cubatão (cidade a 56 km de São Paulo), recentemente ganhou fama ao ser considerado pela ONU (Organização das Nações Unidas) referência em habitação social sustentável. Embora seja usado como exemplo pela organização internacional, para a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) paulista – responsável pela obra – o lugar tem funcionado apenas como base para projetos com tecnologias que causem menos danos ao meio ambiente.

A equipe técnica da companhia estuda implantar em novas construções, por exemplo, estrutura para captação de água da chuva e “tetos verdes”, que ajudam a diminuir o calor dentro dos apartamentos durante o verão, garantindo a redução do uso de ventiladores e ar condicionado.

Os prédios do Rubens Lara se tornaram referência em habitação social de menor impacto por possuírem aquecedores solares para os chuveiros, janelas mais amplas, medição individual do consumo de água (que ainda não estava funcionando até a publicação desta notícia) e teto branco para rebater os raios do sol, reduzindo o uso do ar condicionado. Segundo a companhia de habitação, 1.850 famílias das 7.000 que foram retiradas pelo governo de ocupações irregulares na Serra do Mar devem ir morar no local.

Ideias sustentáveis

Em 2010, a CDHU realizou um concurso público que contou com a participação de escritórios de arquitetura de todo o país. Os profissionais contribuíram com ideias novas para moradias populares sustentáveis. Segundo Gil Scatena, assessor de sustentabilidade da Secretaria de Habitação, a área de projetos da companhia está, neste ano, avaliando quais desses trabalhos poderão ser executados.

A adoção de estruturas para captar água da chuva está na pauta de discussões da CDHU. O sistema possibilitaria que os prédios usassem a água para limpeza de áreas coletivas e manutenção dos jardins. A técnica foi discutida recentemente com o Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, que estabeleceu um canal de comunicação entre a ONU e a CDHU. Scatena afirma, porém, que existem questões de segurança nesse método que precisam avaliadas.

- A adoção de um sistema que recolha a água da chuva passa por uma questão de segurança. Estamos falando da construção de larga escala e precisamos ter a certeza de que essa água não será consumida pelos moradores. A USP (Universidade de São Paulo) nos ajudou com algumas sugestões, como tingir com um corante a água não potável ou usar mangueiras com pontos de segurança. Esperamos que neste ano ou no próximo possamos trabalhar com um [projeto] piloto.

A engenheira e membro do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, Vera Hachich, explica que é possível utilizar a água da chuva, mas para isso é preciso tratá-la antes. Os condomínios seriam obrigados a ter um sistema de tratamento dessa água, “o que é caro e exige que a gestão seja feita por profissional”. Já o engenheiro Henrique Ferreira, da Inovatech, explica que um tratamento com cloro pode fazer com que as águas pluviais sejam utilizadas nas descargas sanitárias e áreas ajardinadas.

Tetos verdes também estão entre as técnicas discutidas. O sistema consiste em plantar um jardim na cobertura dos edifícios. A CDHU trabalha com a possibilidade de adotar esse método, mas questiona a manutenção e os custos da obra. Como explica Vera Hachich, os telhados verdes geralmente exigem investimentos no reforço da estrutura do topo do prédio e impermeabilização dele.

Falta de moradia
Apesar do reconhecimento da ONU, as discussões sobre sustentabilidade na CDHU estão só no começo. Uma política verde foi estabelecida em 2007 e, atualmente, a companhia tenta cruzar as diversas possibilidades de construção sustentável com a necessidade de atender a um déficit habitacional de quase um milhão de moradias. É por isso que o assessor de sustentabilidade da companhia, Gil Scatena, prefere descartar o título de “casa sustentável” para o conjunto Rubens Lara e usar “construção de menor impacto ambiental”.

- O que aconteceu foi que a CDHU mergulhou no mundo da construção civil sustentável, que já estava bastante avançada. Foi um baque. A reação frente a esse cenário foi de “respirar fundo” e ver como é possível equacionar esse universo de saídas dentro da realidade da companhia.

Scatena conta que as escolhas feitas para a construção do Rubens Lara, como as janelas e as áreas com jardins, também são alvo de melhorias para construções futuras. Ele explica que as implantações dos espaços verdes entram em conflito, principalmente, com a preferência dos moradores por áreas de estacionamento.

- As janelas [do Rubens Lara] são maiores e permitem maior ventilação cruzada. Mas quando trouxemos técnicos da ONU, eles fizeram observações do modelo de janelas. Então, acredito que será outra questão que a gente vai ter que avaliar [em construções futuras]. Podemos pensar em janelas que se abram totalmente, o que facilitaria ainda mais a iluminação natural e a passagem do ar.

O traçado do desenho universal, que torna possível adaptar o apartamento, a qualquer momento, para moradores com mobilidade reduzida, também estão sendo “adotadas progressivamente”. Ele conta que a CDHU disponibiliza uma cota de apartamentos adaptados no térreo dos edifícios. A ideia da companhia é ampliar esse desenho universal para as demais habitações.

“IPTU Verde” será implantado em Guarulhos (SP) a partir de 2012

Publicado originalmente em www.ciclovivo.com.br

A partir de 2012, os proprietários de imóveis que investem em ações sustentáveis terão descontos no IPTU (Imposto Sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana) em Guarulhos, na Grande São Paulo.

O desconto será de até 20% no imposto para quem implantar duas ou mais das seguintes medidas: uso de aquecimento solar, captação de água de chuva, reuso da água, coleta seletiva de lixo, sistema natural de iluminação, construção com materiais sustentáveis e telhado verde (gramado).

Os abatimentos serão de até 5% para os imóveis residenciais ou comerciais construídos, que tenham árvores na calçada, no terreno, quintal gramado ou de terra. Os interessados nos descontos do “IPTU Verde” devem comparecer às unidades do Fácil (unidade de multiatendimento público) para solicitar a vistoria, ainda em 2011.

Além do “IPTU Verde”, proprietários de imóveis localizados nos trechos das vias onde são realizadas feiras-livres na cidade serão beneficiados com 50% de desconto no IPTU (Imposto Sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana) a partir deste ano. O desconto se deve ao fato de as feiras trazerem transtornos aos moradores, como barulho, mau-cheiro e interdição do trânsito local.

As medidas fazem parte das alterações da lei 6.793/10, que regula a cobrança do IPTU, com o objetivo de corrigir distorções na cobrança do imposto e garantir maior transparência.

Cidade de São Carlos é exemplo

O número de imóveis beneficiados com desconto pelo programa do IPTU Verde cresceu mais de 100% nos últimos quatro anos em São Carlos (a 230 km de São Paulo). Em 2007, primeiro ano da entrada em vigor do benefício, 2.796 contribuintes solicitaram o desconto. Em 2010, foram 5.733 solicitações.

A lei estabelece desconto de até 4% no pagamento do imposto para imóveis que mantenham áreas permeáveis e plantio de árvores na calçada. Para incentivar o plantio, a Prefeitura criou ainda o Disque Árvore, que já forneceu mais de 6 mil mudas gratuitas de espécies nativas, frutíferas e ornamentais cultivadas no Horto Municipal. Cada pessoa tem direito a duas espécies de árvores por mês. A Prefeitura agenda um dia da semana, faz a entrega e orienta sobre o modo correto de realizar o plantio.

Guarulhos implanta IPTU Verde

Matéria originalmente publicada por Débora Spitzcovsky – Planeta Sustentável – 05/07/2011.

A cidade de Guarulhos, em São Paulo, acaba de divulgar as diretrizes do programa IPTU Verde, estabelecido pela Lei Municipal 6.793/2011, que prevê uma série de benefícios fiscais para os proprietários de imóveis que adotarem princípios de sustentabilidade em suas casas.

De acordo com a iniciativa, os moradores podem obter desconto de até 20% no valor anual do IPTU – Imposto Predial Territorial Urbano, dependendo das medidas sustentáveis que adotarem. Entre elas: – acessibilidade nas calçadas; – sistema de captação de água da chuva; – telhado verde; – separação de resíduos sólidos; – utilização de energia solar e eólica e – arborização do terreno.

Para receber o benefício fiscal já no próximo ano, os proprietários de imóveis de Guarulhos devem solicitar o desconto do IPTU Verde na Secretaria de Finanças do município até setembro de 2010, comprovando a implantação das medidas sustentáveis declaradas. O abatimento no valor do IPTU é válido por cinco anos e, depois, o benefício cessa.

A estimativa da prefeitura de Guarulhos é de que, aproximadamente, 4.500 contribuintes peçam os benefícios fiscais do IPTU Verde. O programa já é implantado, com êxito, em outras cidades do Brasil, como Campinas, São Carlos e Araraquara, em São Paulo, e Vila Velha, no Espírito Santo.

Telhado Verde na capa da Folha (edição de 26/06/2011)

Megacidades buscam saídas para enfrentar mudanças climáticas

O secretário-executivo do C-40, Simon Reddy, afirmou na semana passada ao Jornal Valor Econômico que as grandes cidades precisam investir urgentemente em adaptação e destaca o papel dos telhados verdes no combate as ilhas de calor. Veja abaixo a entrevista na íntegra, disponibilizada no site do Ministério do Planejamento do Governo Federal.

Autor(es): Daniela Chiaretti | De São Paulo

Valor Econômico – 11/04/2011

Tóquio tem 33 milhões de habitantes e só perde 3,5% da água tratada em vazamentos na rede- em Londres, esse índice é de 25%, e a média das cidades brasileiras é de espantosos 39%. Estocolmo recebe quem chega ao aeroporto tanto com táxis “verdes” como com os tradicionais a diesel – o cliente escolhe o que quer, o preço é o mesmo. No centro de Toronto, o consumo de energia com ar-condicionado vem sendo substituído por um sistema que opera a partir das águas geladas dos Grandes Lagos. São Paulo transforma lixo em energia e poucas cidades do mundo fazem o mesmo. A troca de bem-sucedidasexperiências sustentáveis entre as 40 maiores cidades do mundo reunirá prefeitos em evento em São Paulo, entre 31 de maio e 3 de junho. A cúpula dessa edição da C-40, como se chama a organização por trás do encontro, será presidida por Michael Bloomberg, o prefeito de Nova York.

O que dá liga entre as 40 megacidades é o compromisso de reduzir emissões de gases-estufa e adaptar aos impactos da mudança do clima. A rede de prefeitos foi criada em 2005, pelo então prefeito de Londres Ken Livingstone, com este mote. Os políticos se reúnem a cada dois anos e nos intervalos há workshops sobre megaproblemas de interesse comum – lixo, transporte, construções, água, energia. “São Paulo é uma ótima cidade”, surpreende Simon Reddy, ecologista de formação com mestrado em biologia marinha e secretário-executivo do C-40. “As pessoas são amigáveis, a diversidade é enorme e a comida é maravilhosa” elogiou, em sua quinta visita à cidade, na semana passada. Entre reuniões para preparar aedição paulista do C-40, Reddy falou com exclusividade ao Valor sobre problemas comuns e possíveis soluções para as megacidadades, lembrando uma frase de Livingstone: “Nós todos podemos ser pioneiros, mas podemos fazer as coisas muito mais rápido se roubarmos as ideias uns dos outros.” A seguir, trechos da entrevista:

Valor: Um dos pesadelos de São Paulo é o trânsito. O senhor recomenda algo?

Simon Reddy: Todas as cidades têm problemas de trânsito, mas cada cidade é diferente da outra e precisa decidir qual a melhor política a adotar. O leque de soluções abrange melhorias nas redes de transporte público, limitar os espaços de estacionamento, taxas para a circulação de carros em algumas áreas. O objetivo do C40 é reunir os representantes das cidades para trocar experiências sobre este tipo de iniciativas. Assim, cada um pode decidir o que funciona no seu caso.

Valor: Há exemplos concretos?

Reddy: Trabalhamos, por exemplo, com cidades que estão criando sistemas de transporte de ônibus híbridos, que podem andar com diferentes combustíveis combinados e tecnologias mistas. Alguns têm baterias que são recarregadas pelos próprios motores. São Paulo tem a experiência dos ônibus a etanol.

Valor: Aqui a política de transportes emite sinais ambíguos. São Paulo bate recorde em número de carros nas ruas e os congestionamentos são inacreditáveis.

Reddy: O C40 não prescreve o que cada cidade deve fazer porque cada uma é diferente e cada prefeito trabalha à sua maneira. Nunca fui a uma cidade sem problema de trânsito, São Paulo não é a única. E não há bala mágica para isso.

Valor: Outro drama são as inundações. Alguma sugestão?

Reddy: Esse é outro grande problema de outras cidades. Melhorar o sistema de drenagem pode ajudar muito. Mas aumentar o número de parques e faixas verdes. permitindo que a água se infiltre no solo, é algo que também pode reduzir enchentes.

Valor: Como funciona o C-40?

Reddy: Facilitamos o contato das cidades com a melhor tecnologia experimentada por outras no mundo. Londres, por exemplo, tem cem edifícios sob a administração pública, como prédios da polícia e do corpo de bombeiros, que estão em programas de modernização, eficiência energética e redução de consumo. Isso não só vai reduzir as emissões de gases-estufa da cidade, como diminuir a conta de energia. Los Angeles está trocando toda a sua iluminação de rua para lâmpadas LED, que são muito mais eficientes. O programa deles para os próximos sete anos, quando estiver concluído, irá reduzir as emissões de gases-estufa da cidade em mais de 40 mil toneladas e economizar US$ 10 milhões ao ano na conta de luz.

Valor: Essas experiências são trocadas durante as cúpulas como a que São Paulo irá sediar?

Reddy: A cada dois anos fazemos as cúpulas, onde reunimos prefeitos e planejadores urbanos. Entre ascúpulas fazemos workshops, às vezes quatro ou cinco em um ano, com temas que interessam às cidades. Nesses eventos, os especialistas e prefeitos falam sobre suas experiências, não só tecnológicas, mastambém de gerenciamento. Cada um diz o que está fazendo e assim é possível aprender pelo exemplo. São Paulo pode mostrar como capta gás em seu aterro sanitário e produz energia a partir dele, deixando de lançar gases-estufa para a atmosfera. Muitas cidades do C40 não têm isso. Estocolmo tem um sistema integrado de gerenciamento de lixo, um caminho que São Paulo pode trilhar no futuro. Estocolmo, Copenhague e Amsterdã têm experiências interessantes com biodigestores,

Valor: Há bons exemplos de adaptação à mudança do clima?

Reddy: Temos exemplos de cidades que tentam reduzir o efeito das ilhas de calor. Onde há muito concreto e asfalto, a temperatura média pode ser 4°C mais alta em algumas áreas em relação a outras. Ascidades buscam medidas para reduzir esse efeito, como telhados verdes nas casas ou corredores de água. Seul reabriu recentemente um rio, que havia sido canalizado no passado, e onde havia uma avenida de seis pistas, no centro de seu distrito financeiro. Eliminaram a rua, abriram o rio de novo e conseguiram baixar a temperatura ambiente em 2 a 3 graus, porque o rio leva o calor embora. Há iniciativas de plantar mais árvores, abrir mais parques e espaços verdes, esforços que sei que vocês têm feito em São Paulo também. Não só reduzem o calor, mas criam novos espaços de lazer e facilitam a absorção de água, evitando as enchentes.

Valor: Como cidades carentes podem financiar essas iniciativas?

Reddy: Temos workshops de capacitação, para que as pessoas que administram as cidades entendam os mecanismos de financiamento ligados a carbono e quais possibilidades existem. Estamos trabalhando com um projeto do tipo em Jacarta (Indonésia) e outro em São Paulo, com o lixo das favelas de Heliópolis eParaisópolis.

Valor: Como lidar com a urgência do desafio da mudança do clima? Novas tecnologias, como carros elétricos, são ainda muito caras.

Reddy: Os elétricos são muito caros agora, mas isso está mudando rápido. Há cinco anos sequer tínhamos a tecnologia e passamos de carros que podiam rodar apenas 20 a 30 km para os que andam 200 km. Os preços vêm caindo. Existem arranjos com governos nacionais que os tornam atraentes. No Reino Unido, por exemplo, o governo concede 5 mil libras (o equivalente a R$ 13 mil) do custo de um veículo elétrico, para dar impulso ao projeto. Em cinco anos vamos ter infraestrutura de recarga e mais carros elétricos circulando em nossas cidades. Isso irá reduzir as emissões de gases-estufa e melhorar muito a qualidade do ar.

Valor: O senhor viu bons exemplos de uso de energia solar?

Reddy: Não focamos tanto em renováveis, porque temos muito o que fazer com a infraestrutura já existente. Na gestão das cidades, nosso foco está nas edificações e no transporte, duas áreas-chave. Podemos trabalhar com parques, iluminação pública, trânsito, lixo, eficiência energética e construções. Construções são responsáveis por cerca de um terço das emissões de gases-estufa, transporte é outro terço. Esses são os grandes setores urbanos onde podemos fazer reduções.

Valor: Nas cidades brasileiras não aquecemos quase as casas. Transporte é o problema.

Reddy: Mas vocês precisam esfriá-las. O Brasil tem matriz energética limpa, de base hídrica, mas há um limite de quantas hidrelétricas se pode ter. Se as pessoas continuarem a usar energia de maneira não eficiente, vocês atingirão sua capacidade de gerar energia hídrica, e então, o que farão? Vão investir em usinas a carvão ou irão tornar mais eficiente seu consumo e o jeito de refrescar as casas e edifícios?

Valor: O C40 trabalha com saúde pública e mudança do clima?

Reddy: Não muito, mas isso é algo que vai mudar. Saúde e mudança climática é um tema emergente e importante. Doenças como dengue começam a se mover para novas áreas, leptospirose é um drama nasinundações. Se isso tem a ver com o aquecimento global, são claros impactos que os gestores vão ter que enfrentar.

Valor: Individualmente as pessoas se perguntam o que podem fazer para ajudar no problema da mudança do clima. O que sugere?

Reddy: O público precisa reconhecer que mudança climática é assunto importante, exigir que os governantes ajam e apoiar prefeitos quando julgarem que estão fazendo algo em benefício da cidade e na redução de gases-estufa. Encorajá-los se conduzirem a cidade na direção de um futuro sustentável. É algo em duas vias: a cidade tem que explicar o motivo de estar gastando dinheiro público em determinada direção e as pessoas, se quiserem se envolver com o assunto, podem também refletir sobre a forma como se movimentam, se usam transporte público, se podem consumir menos energia.

Valor: Há medidas politicamente difíceis, como restringir a circulação de carros, por exemplo.

Reddy: Sim, e talvez por isso Ken Livingstone não se reelegeu. As pessoas não gostaram da sua taxa paralimitar a circulação de carros no centro de Londres. O novo prefeito reduziu a medida, mas ela ainda existe e custa 10 libras (R$ 25,80) por dia. Estocolmo também tem uma taxa assim. Nova York tentou também, mas a iniciativa foi barrada.

Valor: Viajando pelo mundo o senhor viu boas iniciativas que são simples de implementar?

Reddy: Sim, muitas ideias interessantes. Em Toronto, os prédios da área central não são resfriados com ar-condicionado, mas com um sistema que funciona a partir da água fria dos Grandes Lagos. Em Copenhague fazem algo parecido usando a água do mar. No aeroporto de Estocolmo há dois tipos de táxis, o “verde” e outro normal. O cliente faz a escolha entre um táxi que normalmente é híbrido ou o que funciona a diesel. O preço é o mesmo. Em Seul, há dias livres de carros quando as pessoas são incentivadas a deixarem o seu em casa e recebem vouchers ou estacionamento livre em outro dia, parausarem mais transporte público. Em várias cidades há iniciativas para que se ande mais a pé ou de bicicleta. Em Paris, Londres, México, Barcelona há bicicletas que se alugam com cartão de crédito e basta usá-las e deixá-las em outro bicicletário.

Valor: Em Berlim, os moradores podem alugar carros para ir ao supermercado, levar as compras paracasa, pagar pelas duas horas de uso no cartão de crédito e deixar o carro de volta onde o apanharam.

Reddy: Sim, o “Streetcar”, em Londres também existe, você paga 5 libras por hora (R$ 13). Há outrascidades usando este sistema. Tem muitas iniciativas inteligentes por aí. Não vão fazer grande diferença em termos de balanço de gases-estufa, mas são importantes em termos de comunicação com o público.

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